quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Voz de Jackson longe de estar finalizada (Reuters, Dezembro 2010)

Reuters, 13 de dezembro de 2010
Por Mike Collet-White

LONDRES (Reuters) – Gravações da voz de Michael Jackson em um novo álbum que sai esta semana estavam longe do produto finalizado e necessitaram de considerável reforço digital, de acordo com um de seus principais produtores.

Mas Teddy Riley, que trabalhou com o Rei do Pop em vários discos antes de sua morte, acredita que Michael se tornará um clássico, embora longe das alturas do sucesso de Jackson no final dos anos 70 e começo dos 80.

"Eu tive que fazer mais processamento na voz, e por conta disto as pessoas começaram a perguntar sobre a autenticidade da voz dele," Riley contou à Reuters sobre o primeiro álbum de músicas inéditas de Jackson desde a morte repentina do cantor, há 18 meses.

O projeto está atolado em polêmicas desde que membros da família Jackson foram citados questionando a autenticidade da voz em algumas das faixas e que o advogado de seu pai disse que Michael, como perfeccionista, nunca iria querer este material lançado.

"Nós tivemos que fazer o que tivemos de fazer para que... sua voz funcionasse com a música atual," disse Riley em uma entrevista.

"Ele (Jackson) nunca consideraria estes takes como takes finais de voz. Mas porque ele não está aqui conosco ele não pode gravar novos takes. O que fizemos foi usar Melodyne para afinar sua voz."

"Com o Melodyne o vibrato soa um pouco estranho ou muito processado. Nós pedimos desculpas por isso, mas vocês ainda estão ouvindo o verdadeiro Michael Jackson."

Riley trabalhou em três das 10 faixas no álbum -- Hollywood Tonight, Monster e Breaking News.

As últimas duas foram gravadas na casa da família Cascio em Nova Jersey, em 2007, junto com uma terceira faixa Cascio, Keep Your Head Up.

Foram estas gravações que levaram alguns a questionarem a autenticidade das faixas, embora Riley, e a gravadora Sony Music, estejam se esforçando para demonstrar que elas são verdadeiras.

Preço da Fama

Riley disse que muito da publicidade negativa em torno do álbum veio de pessoas da comitiva de Jackson que não aprovaram o projeto.


"Isto não simplesmente acontece assim, tem de vir de algum lugar e não veio de um bom lugar. Foi de um membro da família, e alguns membros da família... não conseguiram a palavra final então eles meio que detestam o projeto.

"Então aí você tem uma reação em cadeia, um efeito dominó que faz a credibilidade do Michael cair," ele diz.

"Eu estou aqui para proteger isso, porque eu o conheço, eu sei que o material é ótimo, eu sei que precisa ser lançado, eu sei que seu legado precisa continuar porque ele é uma grande pessoa, e mais virá no futuro."

Perguntado se ele concordaria em produzir futuro material póstumo de Jackson, Riley respondeu:
"Se eu pudesse decidir, sim, eu estaria envolvido em qualquer coisa que Michael esteja. Se eles me aceitarem definitivamente serei parte disto. Estou aqui, eu vim para ser um servo para o meu amigo."

Entre os tópicos que Jackson combate no novo álbum estão a sede de fama das pessoas e o preço alto de se tornar um astro.

Em Hollywood Tonight ele descreve a experiência real de uma amiga não nomeada que segue para Los Angeles aos 15 anos para se lançar no cinema, e em Monster ele canta sobre os paparazzi.

"Os monstros são aqueles que, quando você está no topo eles vêm para te derrubar e quando te derrubam, seguem para o próximo artista," disse Riley sobre a faixa.

"Este é o trabalho deles, bater em você quando está no topo e pisar em você quando você cair, e é isto o que ele sempre disse."

Críticas de Michael, que chega às lojas britânicas na segunda e às lojas dos Estados Unidos na terça, têm sido em sua maioria positivas.

Este é o primeiro álbum de músicas inéditas de Jackson desde Invincible em 2001, e o primeiro em um contrato de U$250 milhões entre a Sony e os executores do espólio de Jackson para lançar 10 álbuns até 2017.



 Traduzido por Bruno Couto Pórpora.