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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os Jacksons Chegaram Para Ver a Rainha (Record Mirror, Maio 1977)

Record Mirror, 28 de maio de 1977

Os Jacksons parecem uma escolha um pouco estranha para um show de variedades da realeza. Primeiro, eles não vêm ao país há anos. E segundo, é claro, eles são meninos negros em um evento de convidados mais brancos possíveis.

Mesmo assim, eles estão em Glasgow, alinhados e prontos para cantar. O grupo é considerado a maior banda americana de adolescentes, mas hoje esta descrição não cai tão bem. Três deles são respeitáveis homens de família, e Jackie espera a chegada do próximo Jackson a qualquer momento.

Gritos

Jermaine não está mais com eles, mas eles ainda são em cinco. Randy, o irmão mais jovem, é o novo recruta.

As irmãs, Janet e LaToya, se juntam a eles nos shows de cabaret, mas parece que a presença delas é apenas tolerada - elas certamente não são fixas no grupo.

Os meninos fizeram a passagem de som para o show, a Rainha foi assistir a um jogo de futebol, e aqui estamos no décimo andar do hotel Albany. David Soul está também aqui em algum andar - hoje, os gritos lá embaixo são todos para ele.

Perdõem a minha ignorância, mas depois de todos esses anos eu ainda não sei qual Jackson é qual. (Eu nunca consigo acertar os Osmonds também). O problema é com Tito e Marlon - o resto é fácil de identificar. Jackie é grande e também o mais alto, Michael cresceu apenas um pouco e ainda conserva sua voz aguda, o que explica como um jovem de 18 anos consegue ainda alcançar estas notas altas. O pequeno Randy é o mais extrovertido do grupo.

A história do momento é que o grupo não está mais com a Tamla Motown. Eles se mudaram para a Epic, e agora gravam na Filadélfia com Gamble e Huff.

Eles dizem que a mudança não foi tão drástica: "As pessoas de lá foram todas muito amigáveis. Elas fizeram nós nos sentirmos em casa."

"Sim, eles nos deixaram cantar livremente," acrescenta Jackie.

Quando eles mudaram, deixaram para trás seu irmão Jermaine, que agora trabalha como um artista solo. Na época, houve boatos de uma rixa grande dentro da família, mas se havia algum problema, parece que este já foi resolvido.

Eles falam com alegria sobre os dois filhos de Jermaine e seu interesse em cavalos: "Ele e Barry White adoram cavalgar," conta Michael.

Barry anda a cavalo? Você está brincando...

"Ele anda no tipo de cavalo mais forte que você pode encontrar," ri Randy.

"Sim, é um camelo," ri Marlon.

Nos Estados Unidos, parece que os meninos são tão grandes como sempre foram. Eles têm seu próprio programa de TV e ainda há histeria aonde quer que seja que eles apareçam. Seu último álbum, The Jacksons, se saiu muito bem nos charts americanos, assim como o single Enjoy Yourself.

Por aqui, o álbum não apareceu e o single não passou do Top 40.

Então por que vocês demoraram tanto para voltar, amigos?

"Nós fomos enganados," conta Michael. "Nos disseram que os nossos discos não estavam vendendo tão bem aqui, e que não havia interesse o suficiente na gente.

"Nós também estávamos procurando um promoter - queríamos encontrar o promoter certo."

Maravilhoso

Desta vez, eles farão apenas dois shows - este e um show em Londres. Mas se houver interesse o suficiente, eles voltarão para fazer uma turnê inteira.

Interesse o suficiente? Bem, vamos ver se eles ainda estão com tudo.

A platéia nos assentos de 25 libras do Teatro Real é dificilmente fã de soul music. Os cantores escoceses de country, Sydney Devine e Ronnie Corbett são mais o tipo de música deles.

Mesmo assim, a estrela do primeiro ato é sem sombra de dúvidas Dolly Parton, maravilhosa em calças brancas. Uma pena ela não ter usado seu costumeiro figurino rosa - ele poderia ter sobressaído o figurino da Rainha, que é de um tipo turquesa brilhante.

Dolly canta quatro músicas - Jolene, Bargain Store, I Am a Seeker e Coat Of Many Colours, que é dedicada "à minha mamãe, que ficaria tão orgulhosa em me ver aqui esta noite".

A tarefa dos Jacksons é abrir o segundo ato. Alguém errou o tempo da entrada deles - eles estão no palco enquanto a maioria das pessoas ainda estão voltando do bar.

Eles têm sua própria banda com eles (composta em sua maioria por primos) mas eles também parecem ter trazido uma orquesta totalmente indesejável.

Eles começam com Forever Came Today e a velha energia ainda está lá, mesmo que o som não esteja. Não é culpa deles - musicalmente, shows desse tipo estão sempre abaixo do padrão. A voz de Michael é mais ou menos inaudível, então as chances de gerar uma grande excitação são minadas desde o começo.

Mas visualmente eles são maravilhosos - Michael domina o palco inteiro com o seu boogie.

O número que me parece melhor é o novo single, Let Me Show You, que é uma balada de leve harmonia.

Eles terminam com um medley de seus primeiros sucessos, mas para mim, não funciona também. Não há como voltar atrás agora.

Encontro com o Príncipe

 
Os Jacksons têm uma tarefa dura à sua frente: reconstruir sua reputação neste país e, desta vez, com toda uma horda de outros grupos de soul competindo.

Mas neste show eles são uma das grandes atrações musicais - o show foi repleto de performances entendiantes. O único outro artista que interessa na segunda metade é David Soul, e ele realmete não está em seu melhor momento. Paralisado pelo nervosismo, deixando a alça de seu violão cair e murmurando entre músicas, seu show é melhor ser esquecido.

Após o show, há uma festa para os Jacksons. Eles são apresentados à Rainha, que aparentemente perguntou a eles se viajaram especialmente para o show.

"Mas quem realmente conversou conosco foi o Príncipe Philip," conta Jackie. "Ele pareceu realmente interessado, e nos fez várias perguntas sobre nós e a nossa música."

Poderia haver um fã secreto de soul music no Palácio Real?



Traduzido por Bruno Couto Pórpora

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Na Sauna com Michael Jackson (NME, Março 1979)


NME, 3 de março de 1979
Por John Hamblett

Se lembra quando você tinha 13 ou 14 anos e os astros internacionais da Tamla Motown, os Jackson 5, estavam na TV?

E a sua cara estava talvez há apenas alguns centímetros de distância da televisão, com seus olhos revirados e sua mãe gritava com você para sair da frente da TV porque ninguém conseguia ver nada com sua cabeça no caminho e, além do mais, você poderia ficar vesgo vendo TV de tão perto.

Você estava se concentrando na música, e nos pés de Michael, tentando fazer exatamente o que fazia aquele menino com suas pernas.

Mais tarde, no quarto, você nunca conseguia fazer igualzinho, porque o carpete atrapalhava e além do mais, havia algo no jeito daquele menino se mexer que era simplesmente inimitável.

Cerca de nove anos depois, eu estava no balcão de um teatro típico do norte, momentos antes das cortinas subirem, me perguntando se a magia ainda estaria lá, afinal, o jovem Michael já está crescido (não está?), assim como todas as crianças que dançaram ao som de ABC, I Want You Back e Little Bitty Pretty One.

A banda começou a tocar e uma nuvem de gelo seco surgiu por trás da bateria, escondendo a entrada da atração principal.

Gradualmente, os Jacksons apareceram pela nuvem dispersa, pulando até os holofotes mostrando grande atitude.

A formação original rompida, com apenas quatro Jacksons - dizem que o irmão Jackie está gripado - e MJ assumindo imediatamente o controle total, cantando, dançando e trabalhando duro, muito duro, para uma platéia que teria aceitado virtualmente qualquer coisa. Pregando aos convertidos com uma elegância compromissada e arrebatadora.

Isto graças há 15 anos de total dedicação desde o seu difícil início de carreira. Dez anos de vendas milionárias de discos, todo um estilo de vida, uma visão linda. Um excelente show.

As meninas ainda gritam por Michael Jackson, ainda ficam histéricas quando ele canta I'll Be There e Ben, mesmo que a maioria delas mal tivesse saído do maternal quando as músicas foram lançadas.

Escrito, isso pode soar um pouco confuso. Afinal, Michael não é mais o bebê do show. O jovem Randy é três anos mais novo do que ele e, presumivelmente, muito mais perto da idade das garotinhas bonitas que dão escândalos histéricos quando eles se apresentam.

Mas quando você assiste ao show e escuta Michael cantar - sua voz, mais pura e brilhante do que nunca - as coisas parecem fazer sentido.

Veja, o ponto é que aquele Michael Jackson parece não ter crescido nenhum pouco. O que eu não digo sugerindo como se ele fosse fisicamente retardado ou tivesse algum tipo de doença mental - longe disso - mas simplesmente que Jackson parece absolutamente intocado pela desilusão da vida adulta.

Peter Pan, em uma casca de noz, de um modo que você pode até entender. Desde os cinco anos, Michael Jackson canta e viaja com sua família. Desde os dez anos, sua voz e presença somaram milhões de discos e singles vendidos. Todo o seu estilo de vida foi orientado pelo ritmo do show business. Por três quartos de sua vida, ele foi confinado ao surreal e brilhante mundo do entretenimento de primeira classe.

Michael Jackson evoluiu como um trovador moderno, dedicado à sua profissão, porque ele nunca conheceu nenhum outro estilo de vida. Ele amadureceu em um meio completamente manufaturado, tão completamente enclausurado por este meio que ele pode apenas considerar esta falsa situação como a realidade.

Simplesmente, Michael Jackson nunca teve permissão para crescer. Ele não fuma. Ele não bebe. Ele não usa drogas de nenhum tipo. Ver ele no palco, ver ele fora do palco, e ouvindo àqueles que são próximos dele você não pode evitar mas ter a impressão que ele aborda o entretenimento como um dedicado esportista; constantemente em treino, persistente.

Sob estas circunstâncias, seria compreensível se Michael Jackson tivesse crescido e se tornado um jovem precoce, egoísta e arrogante.

Eu estou prestes a descobrir que isto não aconteceu, o que me foi uma surpresa agradável.

Depois do show em Birmingham a banda, como de costume, se enrola em seus cobertores brancos enquanto esperam, do lado de fora, o mini-ônibus de volta para o hotel.

As pessoas pagas para abrigarem os irmãos de todo tipo de atrito desnecessário fazem seu trabalho de forma eficiente. Talvez até muito eficiente.

Por conta do zelo excessivo desses cães de guarda, realizar uma entrevista minimamente decente com Michael Jackson se prova uma tarefa quase impossível. Jackson vale muitos milhões e é protegido como tal.

Na hora em que a equipe principal volta ao hotel, Randy e Michael já se trocaram e estão na piscina.

A piscina deveria estar fechada a esta hora da noite, mas não está. Não está porque Michael quer nadar com seus amigos. Seus amigos são dois de seus irmãos e sua irmãzinha.

Eu não trouxe nenhum traje de banho, então ele me empresta um, e eu aceito porque obviamente este é o único modo que vou conseguir falar com ele. E além do mais, parece que será divertido.

A água está morna como água de banho.

Michael está ensinando à garotinha o primeiro verso de Blame It On The Boogie, o restante ela tem na ponta da língua! Eles cantam e eu parabenizo a jovenzinha pela sua linda voz e rapidamente começo uma série de louvações com MJ.

A garotinha não está impressionada.

"Oh, eu tenho filhos. Eu tenho sobrinhos e sobrinhas em casa e estou sempre os levando ao cinema, ou à Disneylândia," conta Michael.

Jogar papo fora é fácil, mas diante das circunstâncias uma conversa séria é compreensivelmente difícil - uma situação que não é ajudada pelos dois meninos pequenos que insistem em travar uma batalha na água - uma brincadeira que Michael está muito tentado a participar.

Eventualmente um representante do hotel aparece e informa aos desapontados brincalhões que a piscina será fechada. Michael tem um seguro muito caro para se arriscar nadando à noite.

Ele aceita a situação com bom-humor, mas relutante, e sugere com alegria que fôssemos para a sauna.

"Cara, eu adoro o calor".

Eu faço o jogo, diante das circunstâncias é melhor dizer a ele que sauna é exatamente a minha praia: justamente o que o médico recomendou. Nunca estive numa em toda minha vida mas ah, pros diabos..

O problema com a sauna é que a luz não funciona, o que significa que estamos sentados em uma semi-escuridão em condições semi-tropicais.

Há um tipo de estranheza desesperada na situação. Todo aquele ar depressivo dá um clima inerte que não é nem um pouco convidativo para qualquer conversa séria.

Mas este parece ser o único jeito de conseguir entrevistá-lo. Sou forçado a perseverar.

Michael, no entanto, acha tudo maravilhoso. Ele quer deixar a sauna ainda mais quente. Eu suo e faço algumas perguntas.

"Nós nos divertíamos muito nas turnês quando éramos jovens, de verdade, muito. Nós ficávamos umas duas semanas no Havaí, de férias.... eu amo o Havaí, é como o paraíso... Você já esteve no Havaí? Não? Você realmente deveria ir, é lindo."

"Ah sim, o show desta noite foi muito bom.... o som estava muito ruim no entanto, não estava? Eu gosto muito de fazer shows onde têm pista, embora mesmo quando tocamos em teatros - onde foi que tocamos na noite passada? Manchester - as pessoas geralmente se levantam e dançam. Eu gosto disso.

"Na verdade, eu acho que prefiro fazer shows em lugares pequenos, porque o som é sempre muito melhor e as coisas ficam melhor organizadas. Mas nos Estados Unidos nós temos que tocar nesses espaços enormes. Sabe? Tipo o Madison Square Garden - você já esteve lá? É enorme - e o Astrodome no Texas.

"De fato, nós temos o recorde de audiência no Astrodome - há uma placa na parede com o nosso nome. Eu espero que esse recorde se mantenha. Eu me sinto muito bem quando outras bandas com quem já tocamos nos encontram e dizem que viram a nossa placa."

Em Manchester, foi a vez do Teatro Apollo. Hoje os garotos estão no Bingley Hall, cuja capacidade oficial é para 3,000 - mas números indicam que 6,000 ingressos foram vendidos - embora não pareça estar lotado para mim.

O som não é nenhum pouco limpo como o de Manchester, e as pilastras tampam insistentemente a minha visão. Há um odor desagradável de gás no ar e o chão é de puro concreto.

Mas não há assentos. A banda cria mágica de verdade, e as crianças são verdadeiras fãs. O clima para a música é perfeito - da pegajosa Let Me Show You The Way à alegre Enjoy Yourself e o soul pra cima de Destiny.

Música dançante moderna; disco profunda e quente.

Até a infelizmente corrida medley de seus sucessos antigos consegue causar um furor apesar - ou talvez por causa - de tudo.

Às vezes eu gostaria de poder capturar para sempre aquele sentimento, a imagem, o som, tudo. Capturar apenas uma vez, o momento certo... Ao invés de escrever sobre o assunto, ser capaz de mostrar exatamente o coração do show, expôr a alma: poder dizer como é que foi isto e aquilo. Tocar. Sentir. Ver. Porque então, e só então, alguém poderia entender o que os Jacksons em geral, particularmente Michael, representam para milhares de crianças, eu entre elas.

Michael Jackson foi o primeiro performer de uma geração inteira a quem os fãs de soul conseguiram se identificar. Ele não era apenas outro astro, ele não era um astro ao estilo antigo - não era tão bom quanto eles, era simplesmente melhor.

Ele era melhor porque ele era um de nós, não de um modo tosco, pretensioso, mas simplesmente porque ele era jovem e se divertia, com inesgotável entusiasmo, em fazer o que fazia de melhor: cantar e dançar.

Para milhares de jovens, os Jackson foram o começo, o fim e o meio. E julgando pelos shows que eu presenciei, não mudaram muito em dez anos.



Traduzido por Bruno Couto Pórpora

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Um Jantar Com Andy Warhol e Michael Jackson (Interview, Março 1977)

Interview, Março de 1977
Por Andy Warhol. Redigido por Chris Hemphill.

Segunda-feira, 31 de janeiro de 1977, 10 da noite. Na Av. Park 502, Andy Warhol e Catherine Guinness sentam com Michael Jackson e Susan Blond, publicista da gravadora de MJ, Epic. Longe de AW, está Stephanie Mills, estrela de The Wiz que, ao final da entrevista, pede que MJ dance com ela - e a comitiva de MJ, consistindo de um empresário e um segurança.

(Fita #1, Lado 2)
(Introduções)

No fundo, a disco music de Regine toca incessantemente - ISN'T SHE LOVELY?, MY LOVE IS FREE, DON'T LEAVE ME THIS WAY, etc...

AW: É meio barulhento, não?
SB: Eu disse que precisávamos de um pouco de silêncio, acho que foi por isso que nos colocaram aqui. Mas está bem barulhento, você tem razão. Você pode perguntar pro Michael através de mim.
CG: Você veio para Nova York para gravar um disco ou o quê?
MJ: Não, para fazer entrevistas. De onde você é?
CG: Londres. E você?
MJ: De Gary.
CG: Onde é isso?
MJ: Em Indiana.
CG: Entendo. E onde fica isso?
MJ: No centro-oeste.
CG: Entendo. Que agradável.
MJ: Você gosta de desenhar?
AW: Se eu gosto de desenhar?
MJ: Você gosta de arte?
AW: Ahh... eu realmente gostaria de fazer filmes, mas eles são tão difíceis de se fazer.
MJ: Eu sempre achei que você fosse um poeta.
AW: Um poeta? Um poeta geralmente compõe boas músicas, mas eu não consigo nem cantar.

(Fazem pedido)

AW: A salada é realmente ótima. Tem trufas, fígado...
CG: Você é o mais velho da família que canta e toca?
MJ: Eu canto sozinho.
CG: Eu achei que você tivesse irmãos que também cantavam.
MJ: Eu tenho.
CG: Você é o mais velho ou o mais novo ou o do meio, ou...?
MJ: Eu sou o segundo.
CG: O segundo o quê?
MJ: O segundo mais novo.
CG: Entendo. São todos meninos?
MJ: Somos em nove - três meninas e seis meninos.
SB: E as meninas estão no show, também. Elas estão no programa de TV.
CG: E os seus pais? Eles cantam e dançam também?
SB: O pai é o empresário.
CQ: Que elegante.
SB: Esta é a sopa de trufas?
MJ: O que são trufas?

(se servem de sopa)

MJ: Eu gosto de carne com batatas.
CG: Você ensaia todos os dias?
MJ: Quase todos os dias.
CG: As meninas devem estar ainda na escola, não?
MJ: Sim. Elas fazem o programa de TV agora, mas não viajam em turnês com a gente.
CG: Entendo. E elas sapateiam?
MJ: Uma delas.
CG: Que elegante. Eu gostaria de poder sapatear.
AW: O que você está fazendo em Nova York?
MJ: Entrevistas.
AW: Você vai ter que usar o banheiro logo.
MJ: Eu sei. Eu bebi muita água.
SB: Eles vão fazer um programa com o Fred Astaire, mas não vai poder ser nesta temporada. Eles vão ter de esperar pela próxima.
AW: O que você quer dizer?
SB: Eles querem convidados que atraiam mais os jovens.
MJ: É de onde vem o ibope.
CG: Mas às 20h30, eles não devem ser muito jovens.
MJ: O quê?
CQ: Eu disse, 'Mas se vai ao ar às 20h30, o público não deve ser tão jovem.'
MJ: Bem, são jovens e velhos. Mas os fãs jovens são a base, são quem controlam os televisores hoje em dia. São eles que dão os pontos do ibope, são eles...

(Fim do Lado A)
(Fita #1, Lado B)


MJ: ... apenas falando.
AW: Ok, você pode falar agora.
CG: Está muito tarde. Já contamos tudo agora.
AW: Contaram o quê?
CG: Nós contamos um ao outro os nosso segredos mais íntimos.
AW: Ela contou mesmo? Você tem algum segredo íntimo? Não? Ah, vamos lá, você deve ter um. Não? De verdade?
MJ: Sabe com quem eu te vejo sempre? Eu não sei porque, mas quando eu geralmente vejo uma foto sua você está com Alfred Hitchcock. Eu pensei que vocês fossem irmãos ou algo assim.
SB: Onde saiu essa foto? Na Rolling Stones ou alguma outra revista?
AW: Não, eu acho que foi na People.
MJ: Você o entrevistou? Ele fala de um jeito engraçado, não?
CG: Ele é britânico, não?
AW: Ele fala como ela. Ela fala de um jeito engraçado.
CG: Eu falo sem sotaque. Você fala com sotaque.
AW: Você não gosta da voz de Susan? Você não pode colocá-la no seu programa de TV?
MJ: Sim, vamos mandar um avião para buscá-la. Ela consegue atuar? Ela é boa?
AW: Ela é muito boa. Ah, você tem um desenho na TV que eu vejo toda hora. É o meu programa favorito nas manhãs de sábado. Eles ainda estão fazendo episódios?
MJ: Eles estão re-exibindo. E exibindo em outros continentes.
AW: Há quanto tempo você trabalha? Desde os dois anos, ou...?
MJ: Desde os quatro anos.
AW: Há quantos anos foi isso?
MJ: Eu tenho dezoito anos agora.
AW: Quatorze anos --- Deus, isso é muito tempo.
MJ: Mas sabe, se é divertido e você gosta, é uma coisa boa.
SB: Deus, todas essas trufas e esse fígado!
MJ: Isso é caviar?
CG: Sim, e ovos mexidos. Você quer um pouco?
MJ: Não estou com muita vontade.
AW: Ah, porque você não experimenta? Vamos lá...
MJ: Talvez só um pouco.
AW: Está muito bom. Você tem que experimentar.
SB: É muita coisa. Quando eu como, eu coloco um pouquinho por vez no prato. Dê um pedaço a ele.

MJ concorda em provar o caviar.

MJ: Você honestamente gosta dessa coisa?
CG: Sim, mas eu não consigo explicar porque, o que é curioso. Talvez seja a textura.
MJ: Eu não consigo entender. Como alguém pode comer essa coisa?
AW: Quando você começar a levar sua namorada pra sair vocês vão ter de começar a comer todas essas coisas.
MJ: Não!
AW: Sim, terão.
MJ: Se eu não gostar da comida, não.
AW: Tantas pessoas gostam, então deve ser bom.
CG: E eles colocam tão pouco. Deve ser por isso que é bom.
AW: Escute, quando eu estava no Irã eu comia isso o dia inteiro.
MJ: Você já foi à Disneylândia? Você gosta de lá?
AW: Sim, é muito boa.
MJ: Eu gosto da sua camisa de boliche. Onde você comprou?
CG: Na Inglaterra, no mercado Kensington, o que é estranho dizer. É americano.
AW: Eu guardo todas as minhas roupas velhas em caixas. Você tem os melhores figurinos. O que você faz com eles depois que não usam mais?
MJ: Nós os guardamos. Temos três quartos cheios deles.
CG: Que ótimo. Quem os desenha? Bob Mackie?
MJ: Ele fez alguns para nós.
AW: Que ótimo. Com cequim?
MJ: Não, só camisas. Nós temos todas as nossas roupas velhas - desde os tempos do Ed Sullivan Show.
AW: Aquela foi a primeira vez que vocês apareceram na TV?
MJ: Ah-ham. Vai ao ar novamente nesta sexta no show de 25 anos do programa do Dick Clark.
SB: E vocês vão se apresentar no Grammy também, certo?
MJ: Ah-ham. Nós vamos receber um disco de ouro por Enjoy Yourself.
AW: Por o quê?
MJ: Enjoy Yourself!
AW: Ótimo.
SB: Ele provavelmente nem sabe o que é. Porque você não canta um trecho. Vamos lá...

MJ concorda e cantarola um trecho de 'Enjoy Yourself'.

SB: Não é engraçado ver toda essa gente rica dançando?
MJ: Por que o Andy não dança?
CG: Ele nunca dança. Eu só danço se estiver muito bêbada.
MJ: Mas aí você não consegue dançar.
AW: Você tem namorada em Hollywood?
MJ: Não.
AW: Mas você é tão bonito.
MJ: Eu nunca tive um encontro -- quer dizer, tirando aquele do The Dating Game. E aquilo foi trabalho.
AW: Oh, eu sei.
MJ: Você gosta daqui?
AW: Do Regime's? Eu amo aqui.
MJ: Não, eu digo...


(Final do Lado B)

(Fita #2, Lado A)


MJ: ... em Las Vegas.
SB: Eles causaram um tumulto há semanas atrás quando promoviam o disco em São Francisco.
MJ: Foram os fãs do lado de fora na janela da loja.
SB: Eles tremiam tanto que a janela quebrou e cortou todo mundo. Você poderia conversar com Michael sobre isso por horas e horas.
MJ: Sim, foi horrível. Uma menina teve a garganta aberta. Tinha sangue por todos os lados. Eram tipo mil crianças amontoadas na janela.
AW: Jesus, que assustador.
MJ: Você já viu The Wiz?
AW: Sim, eu vi na noite de abertura. Foi ótimo. Stephanie estava ótima nele. E agora eu a vejo toda noite nos comerciais de TV da peça. Eles são muito, muito bons. Este é o seu primeiro encontro (date) cheio de gente te fiscalizando?
SB: Ih, geralmente ele sai com umas seis pessoas!
MJ: Meu primeiro dia (day) ou encontro (date)?
AW: Não, eu quis dizer se esse é o seu primeiro encontro com uma estrela?
MJ: Não, eu fui à peça dela. Ela teve uma grande festa depois. Todas as estrelas da Motown estavam lá. Foi realmente grande. Foi tão legal. Ela recebeu aplausos de pé três vezes. Diana Ross, Stevie Wonder -- todo mundo estava lá.
AW: Ótimo.
MJ: Você tem filhos?
AW: Eu? Eu não acredito em casamento.
MJ: Sério? Por que não?
AW: Eu não acredito em amor.
MJ: Sério? Você não acredita? Você só namora?
AW: Sim, eu gosto de namorar.
MJ: Você vive sozinho?
AW: Com os meus cachorros. Você mora com a sua família? Com todos eles? Todos os nove?
MJ: Cinco deles não moram mais lá.
AW: Todos eles já se casaram?
MJ: Quatro deles.
AW: Eles provavelmente terão muitos filhos também, certo?
MJ: Talvez tenham. Você gosta de crianças?
AW: Ahh... contanto que não sejam minhas.
SB: Você deveria ver alguns dos primeiros filmes do Andy algum dia. Ele fez alguns filmes com quatro, oito, 24 horas de duração...

(Empire)

MJ: Só com narração?
AW: Só com a narração das pessoas na platéia que não caíram no sono. Você dorme oito horas por noite?
MJ: Eu tento. E você?
AW: Eu nunca conseguia. Eu costumava dormir uma hora por noite. Agora eu consigo.
SB: Você está lendo alguns roteiros agora ou isso é para um momento mais distante no futuro?
MJ: Eu estou sempre procurando. Tem uma idéia que eu quero fazer, por mim. É sobre este cara que quer ser um dançarino de sapateado. É sobre sua luta para entrar no show business.
SB: Quantos milhões de discos vocês venderam ao todo? Oitenta?
MJ: Sessenta.
SB: Quando nós assinamos os Jacksons com a Epic, nós também, naquele acordo, concordamos que eles lançariam álbuns de Michael Jackson.
AW: Ótimo. Você tem cachorros?
MJ: Eu tenho três - um Doberman e dois pastores alemães.
AW: Três cães assustadores. Por que você tem três cães assustadores?
MJ: Eles são os cães de guarda da casa.
SB: Conte a ele sobre o seu papagaio.
AW: Ele fala? O que ele diz?
MJ: Ele é louco. Ele ri, ele chora, ele diz 'oi', ele diz 'adeus', ele canta ópera...
AW: Sério? Que ópera?
MJ: Ele é louco. Barry White me deu de Natal.
SB: Hoje, pouco antes desta entrevista, Michael foi ao zoológico daqui porque ele ama esse tipo de coisa.
MJ: Eu costumava ter muitos passarinhos, mas tive de me livrar deles. Eu tinha um pavão, uma avestruz...
SB: Na sua casa antiga?
MJ: Sim. Nós nos mudamos de lá. Mudamos porque as casas eram muito próximas umas às outras. Nós construímos um estúdio na nossa casa - de 16 faixas, você sabe, e tudo mais - e quando íamos ensaiar os vizinhos reclamavam. Então nos mudamos.
AW: Que estrelas de cinema reclamaram? Todas elas?
MJ: Só uma estrela de cinema reclamou. Frank Sinatra morava bem do nosso lado.
AW: Ele reclamou?
MJ: Não, ele nunca reclamou. Mas a sacada dele era bem do nosso lado.
AW: Sério? Você chegou a vê-lo?
MJ: Sim, eu o vi muitas vezes.
AW: Mas na sacada?
MJ: Nunca na sacada.
AW: Oh.
MJ: Você tem alguma foto sua? Poderia me mandar uma?
AW: Eu mandarei uma minha se você me mandar uma sua.
SB: Oh, que fofo.
MJ: Você conhece Stevie Wonder?
AW: Eu o conheci uma vez quando ele tocou com Mick Jagger no Madison Square Garden. Ele é realmente maravilhoso. Eu dei a ele uma câmera de presente e ele tirou fotos com ela mas eu não sei se ele um dia irá, ahh...
SM: Vamos lá, Michael, vamos dançar.
MJ: Eu só quero assistir.
SM: Oh, vamos lá, Michael, por favor...
MJ: Eu quero apenas assistir.
SM: Não, Michael, por favor, por favor...
MJ: É que eu não estou acostumado a dançar se...
SB: Se ele não está sendo pago para isso.
SM: Michael, Michael...
MJ: Eu vou assistir. Não gosto de chamar atenção.
CG: Se uma jovem pede para você dançar, você não pode recusar.
SM: Michael, por favor. Michael, Michael, Michael...

MJ concorda em levantar e dançar.


Traduzido por Bruno Couto Pórpora

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Porquê Michael é Uma Lenda Viva (Black Stars, Novembro 1976)

Black Stars, Novembro 1976



Por Steve Manning


Michael é extremamente bonito, amigável e nem um pouco mimado pelo seu gigantesco sucesso e popularidade. E embora ele seja um pouco tímido no palco, ele também é um pouco tímido com suas fãs


O que alguém pode possivelmente fazer após conquistar o coração e alma dos críticos mais severos e maravilhar massas de pessoas por todo o universo.

Como 1/5 do brilhante grupo sem precedentes na história do entretenimento, o artista de dezoito anos já vendeu mais de sessenta milhões de discos.

Michael Joe Jackson amadureceu e se tornou um encantador e inteligente jovem com muitas perspectivas sobre a vida e o mundo do show business que vão muito além de sua relativamente jovem idade. Nesta entrevista exclusiva para a Black Stars, Michael revela muitos aspectos interessantes de sua vida como um "entertainer veterano".

Em uma recente visita a Los Angeles, Califórnia, eu visitei o rancho dos Jacksons na pacífica Encino, parte do pitoresco vale de São Fernando. Ao dirigir até o enorme portão de aço, fui cumprimentado pela adorável mãe da família Jackson, Katherine Jackson.

A Sra. Jackson me informou que Michael estava esperando ao lado da piscina (que é enorme) para que eu conduzisse a entrevista. Enquanto eu me dirigia até o ídolo de milhões de adolescentes, ele estava alimentando um dos muitos pássaros da sua coleção com doce de amendoim torrado; um particularmente faminto papagaio mexicano.

Foi meio difícil acreditar que este Michael Jackson era o mesmo entertainer entusiasmado, cheio de poder e energia que eu havia visto recentemente no palco. Poderia até se definir a personalidade do superastro como introvertida. "Quando eu estou no palco, cantando uma música, eu tento dar tudo de mim. Especialmente numa bela balada," diz Michael, enquanto o papagaio colorido balança no seu braço.

Você se consideraria um indivíduo envergonhado ou tímido? "Bem, eu sou basicamente uma pessoa muito quieta quando estou em casa. Eu realmente prefiro viver uma vida mais calma. Eu não sou muito de agitação. De verdade, eu me importo mais com um jantar íntimo, quando não tem tantas pessoas presas dentro de uma sala, fumando e bebendo. Eu não gosto do estilo de festa grande e glamurosa. Mas sabe o quê, aqui na Califórnia as pessoas parecem ser mais relaxadas do que pessoas em outras partes do país."

Michael Jackson se apresenta com os seus irmãos há quase doze anos (sete deles profissionalmente) e relembra o início da carreira quando a família Jackson morava em Gary, Indiana. "Eu consigo me lembrar do primeiro show de talentos que ganhamos lá em Gary. Eu acho que eu tinha cerca de cinco ou seis anos de idade. Eu me lembro de assistir Jackie, Tito e Jermaine ensaiando duro com seus talentos musicais antes de eu entrar para o grupo com Marlon. Os dias que eu passei em Gary fazendo shows de talentos foram muito importantes para mim e sempre serão," disse Mike.


Aparentemente, a luta pelo estrelato enquanto vivia em Gary teve um impacto duradouro e benéfico na mente de Michael, quando ele diz, "Muitas vezes quando estou viajando de avião nas turnês, eu penso nos dias em que meus irmãos e eu tínhamos de encarar uma viagem de horas até a Costa Leste para fazer um show, com nosso pai dirigindo a Volksvagen que tínhamos. Cara, esses foram dias duros, mas eu devo dizer que eles me fizeram apreciar melhor a vida. As coisas que eu tenho agora e o que eu já vivi me fazem ser grato. É preciso sempre dar o merecido valor ao que conseguimos."

Durante o último ano e meio, a mídia constantemente tocou - e por vezes criticou - a saída dos Jacksons da Motown Records; sua gravadora por sete anos. Então os Jacksons assinaram com o selo Epic da Columbia. Jermaine Jackson decidiu ficar na Motown e seguir uma carreira solo.

Discutindo a decisão do grupo em não renovar outro contrato de longo prazo com a Motown, o cantor principal dos Jacksons disse bem candidamente, "Eu, assim como os meus irmãos, aprendi muito com os caras da Motown. Nós queríamos expandir, ter a oportunidade de buscar mais áreas com os nossos talentos. Não há ressentimentos pelo que eu saiba. Eu ainda falo com Diana Ross e o Sr. Gordy (o cabeça da Motown, Berry Gordy Jr.) por exermplo."

Jermaine e Michael sempre foram irmãos muito unidos e grudados; e este elo de irmandade ainda existe quando Mike diz, "Bem, nós dois somos muito ocupados como você sabe, mas conseguimos nos encontrar sempre que queremos. Seja para sair, andar a cavalo, trocar fitas de vídeo ou só que seja para nos vermos e conversarmos. Eu amo o meu irmão como todos os outros membros da família, mas eu gostaria que Jermaine estivesse conosco."


Em Hollywood, sendo conhecida como uma cidade super arrogante e egomaníaca de merecida reputação, Michael Jackson permanece um constraste, um sujeito com os pés no chão. "Eu nunca achei que as pessoas deveriam sentir que são melhores simplesmente porque elas possuem uma quantidade maior de ítens materiais ou segurança financeira. Eu acredito em dividir, ajudar e dar uma mão amiga às pessoas," disse Michael.

Como a maioria dos superastros, Michael tem o poder em comandar o afeto de incontáveis belas jovens de todo o mundo. "A beleza física de uma jovem não pode de jeito algum brilhar mais do que o seu coração e espírito. A gentileza de uma garota é mais importante do que qualquer coisa, de verdade, estou sendo realmente honesto."


A busca de Michael Jackson pela beleza interior, gentileza, e sua boa vontade estão diretamente relacionadas ao seu estudo da religião dos Testemunhas de Jeová. "Todo dia eu tiro um tempo para estudar a Bíblia, não importa aonde eu esteja. Os ensinamentos da Bíblia deram uma nova dimensão à minha vida. De certa forma, me completa."

com Rose Fine, sua tutora
Se Michael Jackson está viajando pelo belo interior das Filipinas ou pelas movimentadas ruas dos Estados Unidos, ele se sente profundamente tocado pela pobreza do mundo, especialmente pela fome das crianças. "Eu amo viajar e até agora fui sortudo o suficiente para conseguir ver uma boa parte do mundo. Em certas partes do mundo, eu vi crianças famintas andando pelas ruas sem sapatos. Eu estou muito preocupado com as crianças famintas do mundo e eu espero que possa fazer algo positivo para aliviar este problema. Oh, antes que eu me esqueça, Steve, eu estou muito ansioso para viajar para a Índia um dia. É um desejo antigo meu visitar o país para ver o Taj Mahal," conta Michael.

O verão de 1976 teve os Jacksons com sua própria série de televisão. Os seus quatro programas de meia hora foram vastamente elogiados pelos críticos da indústria e pelo público. O curto programa deu mais ibope do que a Mulher Biônica em sua competitiva guerra pelos pontos na TV. "Nós gostamos muito de fazer os programas neste verão. Eu acabei de descobrir hoje que a rede de TV da CBS decidiu nos dar um programa regular para ir ao ar na programação de 1977, provavelmente em janeiro. Minha irmãzinha Janet ficou maravilhosa na televisão.

Comentando sobre os seus artistas favoritos e interesses musicais, Michael diz, "Eu aprecio todo tipo de música, de disco até um certo repertório erudito. É difícil dizer quem são meus artistas favoritos, mas eu aprecio muito gente como Fred Astaire, Diana Ross, Johnny Mathis, Stephanie Mills e Paul Anka."

Os Jacksons recentemente acrescentaram seus talentos vocais ao gênio musical de Kenny Gamble e Leon Huff para seu altamente esperado álbum de estréia na Epic Records, intitulado simplesmente The Jacksons (PE 34229). O seu primeiro single, Enjoy Yourself, escrito por Gamble e Huff, sem dúvidas será mais um disco de ouro para sua já vasta coleção. "Todos nós dos Jacksons respeitamos o talento musical de Gamble e Huff há muito tempo e a combinação do nosso trabalho têm sido maravilhosa. Nós estamos altamente ansiosos para trabalhar com eles novamente," comentou Michael.

O mundo certamente apreciaria mais gente com as características de um Michael Jackson, um honesto e verdadeiro ser humano, e multitalentoso. O que é uma lenda? Michael Jackson (mas você nunca vai conseguir fazê-lo admitir!).


Traduzido por Bruno Couto Pórpora.

Estréia de Verão na TV: 'Os Jacksons... e Muito Mais' (JET, Junho 1976)

JET, 24 de junho de 1976
Por Bob Lucas

Cinco mais um, menos um, mais três, é igual a...

Faça este cálculo na sua conveniente calculadora de show business e a leitura será: A Família Jackson!

A equação decompõe-se desta forma: os Jackson Five originais – Michael, Marlon, Tito, Jackie e Jermaine – foram acrescidos do irmão Randy, então perderam Jermaine e finalmente adicionaram as irmãs LaToya, Maureen e Janet.

O resultado é um cintilante pacote de entretenimento que os telespectadores receberão quando os Jacksons estrearem sua série de comédia e variedades no dia 16 de junho, às 8 da noite, na CBS-TV.

Como sua minissérie de verão prova, os Jacksons fazem de tudo. Com célebres convidados como Sonny Bono, Joey Bishop, Ed MeMahon e MacKenzie Philips, os Jacksons passam por esquetes de comédia e trocam piadas à velocidade máxima. Existem piadinhas por toda a série, que amarram os quatro shows de meia hora. (Introduzindo o primeiro show, Michael satiriza, “Nós não somos os Osmonds, pessoal. Não mexam na cor de suas TVs!”)

O melhor de tudo, eles cantam e dançam para arrebentar. Cantam seus hits de ouro e também alguns novos. O modo como mexem os pés chama a atenção em coreografias que variam de sapateado até as últimas modas das discotecas.

Um destaque de cada show é o “Fonz-Off”, uma competição para determinar a melhor imitação de “Fonzie”, o popular personagem do show de TV Happy Days.

Joe Jackson, pai do grupo, e o gerente Richard Arens são produtores executivos do programa. Eles supervisionam o time de produção de Bill Davis, Arnie Kogen e Ray Jessel. Auxiliando Jackson em vários projetos com a Família Jackson está Steve Manning.

“Nós começamos a falar do programa ainda em março,” Jessel disse à JET. Jessel e Kogen trabalharam com os Jacksons em anteriormente e estavam familiarizados com os talentos que tinham à disposição. “Então nós tínhamos uma idéia de como eles funcionavam em áreas além daquela na qual são conhecidos – os discos,” disse Jessel. “Eles são muito mais do que isso. Este é o motivo pelo qual estamos empolgados com este programa, porque sabemos que eles têm tanto potencial em várias outras direções.

“Eles tem uma capacidade musical para alcançar uma audiência muito ampla e, eu acho, era nisto que a CBS estava interessada. E é nisto que a Família Jackson está interessada.

“Quando você está na televisão, você alcança mais do que os compradores dos discos. Você pode vender dois milhões de discos, mas com a televisão você alcança 30 milhões de pessoas.”

Embora esta seja a primeira exposição na TV da Família Jackson, os J-5 originais não eram estranhos à televisão. Eles apareceram em muitos especiais como convidados, e até tiveram seu próprio especial, Goin’ Home to Indiana, com Bill Cosby como convidado. Mais recentemente, os espectadores os viram com Rich Little e Dinah Shore e no Soul Train.

Janet e Randy têm lugares de destaque em todos os programas, fazendo imitações hilárias em duplas do show business como Capitão e Tennille, Sonny e Cher e Donny e Marie Osmond. Com Ed McMahon como W.C Fields, Janet se exibe como uma Mae West em miniatura para o deleite da audiência do estúdio.

Jessel descreve Janet como “incrível! Ela tem o quê, 9, 10 anos? Ela é uma super estrela!”

O jovem produtor também ficou muito feliz com as outras garotas Jackson. Em particular, lhe agrada o modo como Maureen, LaToya e Janet apresentam Save the Bones for Henry Jones.

“O que nós temos,” continuou, “é um programa para todo mundo. Não é um programa de soul, não é um programa de rock. É um programa de variedades, um programa de variedades muito agitado.

“Programas de variedades de meia-hora são um formato novo, e acho que solucionamos este formato. Não há espaço para gordura. É muito magro e apertado, com muitas músicas, risos e entretenimento.”

Com a minissérie já gravada e pronta para ir ao ar, Joe Jackson está aparentemente concentrando-se em seu próximo passo... preparar-se para o primeiro lançamento dos Jacksons pela Epic Records. (Sua saída da Motown Records foi concretizada no dia Primeiro de Abril.)

Aqueles que já viram o programa de TV concordam que a Família Jackson tem muito mais para mostrar a seus fãs.

Normalmente, seria preciso entrar em um caro clube noturno para ver todo o grupo de oito membros em ação, já que as jovens moças não foram colocadas nos shows de turnês. Além disso, como Jessel explicou, “Rebbie (Maureen) e LaToya são ambas muito belas e muito sexies. Estive surpreso com suas atuações; elas fizeram algumas coisas tremendas, e elas são ambas muito simpáticas.

“Maureen é um tanto quieta, mas você pode ver que tem muita coisa acontecendo por trás do silêncio. E a pequena Janet – ela é como Pearl Bailey. Ela é uma mocinha que costuma tomar o comando, e você não consegue tirar os olhos dela. É difícil dizer como foi boa a experiência de trabalhar com eles (a Família Jackson). Eles são muito profissionais, muito cooperativos... muito criativos.”



 Traduzido por Lucas Bucchile.